
12 de dezembro de 2007.
Essa é a época em que vai tudo acabando. Algumas coisas acabam pra voltar no ano que vem. Algumas coisas acabam pra nunca mais voltar. Dizem que essas últimas voltam a pousar em nossas vidas mais cedo ou mais tarde. Acho que sim.
clarice
December 6, 2007
Esse foi o curta que ganhou o concurso Project:Direct promovido pelo YouTube em parceria com a HP e o estúdio Fox Searchlight. Era o único brasileiro entre os 20 finalistas.
Clarice tem o chamado formato de rosto ovalado e olhos grandes, o que combinou com o cravo, com o laço e com cabelo-tigela do menino.
ontem eu vinha em pé no ônibus e tirei os fones dos oLvidos.
November 30, 2007

Na minha frente sentavam duas mulheres. As duas vestiam saia e meia-calça. A mais magra tinha o cabelo bem grisalho e pixaim. O pescoço fino. A outra combinava melhor a roupa, mas a blusa que cobria o corpo rotundo era fina demais e mostrava o que tinha embaixo. Ela tinha no colo um saquinho do Mambo fechado por alguns nós apertados e uma criança atenta. Contava pra amiga que a filha Gleicilene esteve num hospital muito bom, desses que atendem o SUS mas também atendem particular. E que nunca teve que pagar um real pelo tratamento, que diziam que vinha médico de todo canto visitar, porque tinha tecnologia. Tinha até palhaços que iam lá agradar as crianças. Que eram simpáticos e atenciosos.
O ônibus brecou forte e a mulher magra foi com o corpo todo pra frente. Mas a mãe da Gleicilene apertou o saquinho na barriga da criança e a criança, ela apertou contra o peito fofo. Não foram pra frente.
Quando a outra voltou ao encosto, a mãe esclareceu que se a filha tinha ido é porque Deus queria assim, e que ninguém tem culpa. “Né?”. A criança do colo entendeu tudo e até sentia saudade da irmã, mas não ficou triste. Fez com a cabeça pra cima e pra baixo pra dizer “é” e pediu amendoim torrado que estavam vendendo do lado de fora do ônibus.
árvores de natal dos arquitetos
November 27, 2007

um pouco de bobagem…
pernas na janela do galpão
November 26, 2007

Uma amiga veio pedir notícias do Teo. Eu tentei, mas voltei de mãos vazias.
Os números que aparecem na bina são sempre de orelhões por aí. Pra entregar alguma coisa, ele chega junto e entrega, sem número nem endereço de remetente. Ele não é de freqüentar sempre os mesmos lugares nem as mesmas pessoas. Ele escolhe no dia quem vai seguir e que linha de metrô tomar. “Não é por nada não, é que eu não consigo decidir nada muito antes”.
E aí, falando nisso, tem essa foto que foi tirada na filmagem do Teoria. O Vitor subiu todos os episódios no youtube. “Já faz tempo, Gregório”.
Deu vontade de rever as pessoas.
gira
November 23, 2007

Nunca vem, quando vem, vem fraca. Meninota me disseram que adulta eu ia desenvolver mediunidade. E como? Sou rádio de pilha minguada, não sintonizo a voz. Porque não recebo, não posso girar a saia, acender um pito. Fico de assistente, chego a ter bondade antes de entrar no centro, mas pego os nomes que quero perto e deixo no bolso do avental. Vai que a cigana lê.
Fico ali entre o médium e o consulente. O pai-de-santo recebe uma cigana ruiva e gorda, ele é magro e se senta feito obeso num banco miúdo; ajeitando as dobras do outro mundo.
Faço de um tudo pra traduzir o que diz à moça. Anoto os banhos e as preces. Ela é noiva e quer que um fulano, casado, a esqueça; e rápido, está sem paciência. É a primeira vez que pedem pra afastar e não juntar, disse a cigana.
É que afastando ela queria unir, matemática enrolada, raiz de três.
Quando a última foi atendida — só vai moça no terreiro — pedi pra cigana ver minha causa. Ela foi dizendo que me faltava concentração nas sessões, que faltava disciplina, constância. Achei que quem falava era o cavalo e não o cavaleiro. Concordei com aquela mistura de magro com gorda e acendi as velas roxas, junto com a batata doce.
Vou levando.
O pai-de-santo é meu marido, culpa minha. Um dia o levei no centro pra benzer, mandaram desenvolver, fazer a cabeça; justo ele sintoniza a voz. Agora faço a ponte entre ele e moças que querem homem. Num centro, o que se pede é a volta de alguém, eu inclusa. Meu marido, de cigana nos ombros, faz voltar até a memória. Sim, é pra ele enquanto aparelho que peço pra outro homem vir me buscar. Ele de nada se lembra depois que sobe a cigana, e me agradece.
Pedi pra conhecer o que impedia minha fuga e ela veio. Veio, aqui no centro, a esposa do amante que não me larga nem me toma. Perturbada, veio pedir pra cigana que eu, logo eu ali ao lado, saísse do caminho. Ri. Sabe quando? Nem quando o pai-de-santo é o marido da chaga dela, nem quando eu mesma é que escrevo o despacho feito com meu nome.
Meu prazer é ver fazer e desfazer; quando a fé não é minha, desconfio do milagre.
andréa del fuego
sugar water
November 22, 2007
Pode ser inspiração pro Biottik.
Love your earth
November 14, 2007
3871 pessoas de 98 países participaram do concurso “Love your Earth”.
Era pra criar o logo que melhor disseminasse a mensagem.
Um dos ganhadores é brasileiro. O logo dele lembra o logo de alguma outra coisa. Agora me falha a memória.

nome : bens-aids map
designer : pedro regadas-portugal

nome : spread a little love
designer : rodolfo pauletto-from brasil

nome : what ever happened to catching the train?
designer : sharmila sandrasegar-austrália
a sincronicidade e o chemical brothers
November 8, 2007
O Tacão comentou que “aquilo que nós costumamos chamar de “coincidência”, que é apenas a percepção da relação de duas situações em um mesmo momento do tempo, e que seria totalmente aleatória, ele (Jung) chama de “sincronicidade”, que é essa mesma percepção da relação entre as coisas, mas com a compreensão de que as coisas estão efetivamente conectadas, como se fosse possível atrair essas relações entre as coisas e esses encontros, que não teriam nada de aleatório.
Quando o Michel Gondry fez o clip do Chemical Brothers, acho que, na verdade, ele estava pensando em Sincronicidade.
Tudo bem, é bem mais profundo que isso. Mas não tem nada mais sincronizado.
Valeu Tacão.